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Vertigem Posicional Paroxística Benigna

VERTIGEM POSICIONAL PAROXÍSTICA BENIGNA

A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), vulgarmente conhecida por a “doença dos cristais” é uma das principais causas de vertigem.

Tem uma incidência de cerca de 10-17 casos por 100.000 habitantes por ano.

Estima-se que afecte cerca de 10% das pessoas ao longo da sua vida.

É uma doença que afecta todas as faixas etárias, no entanto é rara em crianças, e aumenta a sua incidência acima dos 60 anos de idade.

Quais os sintomas?


O termo vertigem refere-se a uma sensação ilusória de movimento, mais frequentemente rotatória. Na VPPB as queixas de vertigem são desencadeadas por movimentos da cabeça e mudanças de posição. Surgem tipicamente ao virar na cama, ao deitar ou/e ao levantar da cama, assim como com a hiperextensão do pescoço. Por essa razão é frequente ser erradamente assumida como um problema da coluna cervical. A sensação de vertigem tem uma duração de segundos mas pode deixar uma sensação mais prolongada de instabilidade e mal estar. Não é raro ser acompanhada de náuseas e vómitos. Não se acompanha de perda auditiva ou zumbidos.

Apesar de se tratar de uma condição benigna pode levar a uma diminuição significativa da qualidade de vida e aumentar o risco de queda e fracturas, sobretudo nas pessoas mais idosas.


Qual a causa?

No ouvido interno existem cristais de carbonato de cálcio (otólitos) que desempenham um papel fundamental na detecção dos movimentos. A VPPB surge quando alguns desses cristais se soltam e se deslocam para outro local do ouvido interno (canais semicirculares), onde vão provocar um estímulo capaz de produzir as queixas recorrentes de vertigem rotatória quando a pessoa muda a cabeça de posição.

Figura 1 – Deslocamento dos otólitos no canal semicircular que provoca a sensação de vertigem rotatória

A VPPB pode ser causada por traumatismos cranio-encefálicos, por outras doenças do ouvido interno (doença de Menière, nevrite vestibular) ou por cirurgias ao ouvido. Mas na maior parte dos casos é espontânea, ou seja, não se consegue identificar uma causa (origem idiopática).

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico é confirmado através da realização de manobras de diagnóstico (ex: Manobra de Dix-Hallpike), que também informam o local para onde os cristais se deslocaram, que vai ser determinante para a eficácia do tratamento.

Figura 2 – Manobra de Dix-Hallpike

Qual o tratamento?

Em alguns casos a VPPB tem uma resolução espontânea ao fim de alguns dias ou semanas. No entanto, apesar de ser uma condição benigna, tem um grande impacto na qualidade de vida do doente.

O tratamento não assenta em medicamentos mas sim em manobras de reposicionamento dos cristais de carbonato de cálcio no devido lugar. Essas manobras reabilitadoras são realizadas pelo otorrinolaringologista no consultório.

Trata-se de um problema que se pode tornar recorrente em cerca de 50% das pessoas, ou seja, poderão ter mais crises de VPPB no futuro. No entanto não existe nenhum tratamento preventivo.

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